"listen to the way life slowly walks out of her body. If there is any kind of music to be appreciated, then it is there, between the beats of her heart and the quiet exhale her breath..." R.M.Drake
É uma declaração muda, por todas as vezes que to quis dizer, não o fiz ou não o podia, e por todas as vezes que to disse e o fiz de forma errada. Por tudo isto, me instalo na orla mais obscura do teu coração cujos traços e afetos têm a capacidade estrondosa de te fazer tempestade num mar de ternura e palavras.
Se a vida me obrigou, por vezes, a ser flexível, neste aspecto, falhou redondamente contigo. Serás sempre a minha eterna e primária meia-noite que assinala o fim e o início. O curioso desta inflexibilidade contigo é causar precisamente o oposto, permitindo-me conhecer o lado mais persistente, mais inconformado e revolucionário que tenho. E, permite-me também, conhecer a diferença entre gostar dos outros e gostar da maneira como os outros nos fazem sentir. Gostar de mim pelos outros é apenas um jogo de egos camuflados que, pelos vistos, jogo constantemente e dá-me gozo fazê-lo. E contigo? Sou-te fiel, estando exposta e vulnerável ao teu sábio julgamento. Não preciso dos teus olhos, bastam-me os meus. Então resta-me gostar de ti, e gosto muito.
Não existe nada a perdoar, as coisas são como são e os arrependimentos apenas nos permitem conhecer novas e estimulantes formas de dor. Mas há, no fundo, uma espera insensata que o outro tenha encontrado algum tipo de desespero na nossa ausência. Mostra-se contraditório...a maneira como a distância nos permite encontrar algum tipo de felicidade justificada. E por mais que inveje e abomine a maneira como és feliz sem mim, agradeço por o teres feito.
Matilde Moura
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