Já fazia algum tempo desde a última vez que levantei estrondosamente o som do rádio para abafar o quão alto estavam os meus pensamentos mas, mais uma vez, não passou de uma tentativa falhada.
E de olhos postos no nada, pensava. Pensava o quanto a minha alma é degradante por continuar inata ao cerne da questão.
E peguei numa caneta para te escrever a última carta e, apesar desta não transcrever para o papel a minha revolta, pode criar um final diferente. Suportável.
Tudo à minha volta está cheio de coisas vazias, e se o que tende a predominar são os meus fracassos, desafio-te a venderes a alma a quem te merece e a abandonares as questões sobre o mundo abstracto que tanto são alvo das tuas lamúrias.
Os braços da liberdade são difíceis de alcançar e dada a angústia que é sentir a pulsação ecoar por todos os cantos do quarto dançando com o silêncio, suplico pelas tuas asas. Porque anjos como tu...anjos como tu " dão corda ao relógio do ( meu ) mundo ".
Aceito o destino mudo que me deste e enterro no peito as verdades envoltas em breves momentos ocultos de pouca lucidez. Abraço o ódio com que carregas todo o teu amor porque o mundo foi feito para quem passa no teste da vida mas, e como não podia deixar de ser no nosso jeito contraditório, somos péssimos exemplos de esperança.