E arrastava o corpo gasto pelos dias e pelas horas de desespero que é inundar-me dos teus pecados. Mais uma vez fora enganada pela inocência, o teu correcto é somente dor disfarçada.
Tudo está igual...os pássaros, a relva, os bancos, a inquilina chata e o nosso nome. O nosso nome, estático, cravado no tronco da árvore. Tudo está igual , repito para mim mesma , na tentativa de matar o vazio daquele lugar.
O coração desilude-me. Era suposto bombear todo o meu ser e não destruir a minha essência.
O vento leva o que resta da tua presença, leva o odor dos teus vícios e do teu perfume barato. Só tenho pena de não ter rezado o suficiente para que te tivesse levado o orgulho. Agora pouco resta...talvez reste um jardim.
Entrego-me à dor, não me chega a tua lápide nem as minhas rosas.
Chega então o suor, o sangue e as lágrimas...perco-me na imensidão que é o universo. A dor pára. Que fiz eu?
Matilde Alves
Matilde Alves