terça-feira, 13 de novembro de 2012

Uma boa despedida

   O silêncio tomou as nossas palavras, resta-nos 2 corpos abandonados e 2 almas possuídas pela ausência. Quebrámos a harmonia e chorámos trágicos fragmentos de memórias de momentos que outrora reinavam os nossos dias.
   Tornámo-nos aborrecidos e como se não bastasse fizemos uma invasão à nostalgia excluindo inteiramente o nosso coma amoroso que usávamos como escapadela à realidade.
   Agora somos banais, transeuntes obstinados pela eternidade que é o desespero e pela ironia que o futuro nos espera.
   Seremos eternos sonhadores obscenos, expostos aos rumores inevitáveis e às inquirições de quem nada sabe. Consigo olhar para o meu reflexo nas tuas ruínas. Ruínas cujas lágrimas não conseguem reconstruir.
   Desculpa ter-te feito perder o ritmo do tiquetaque do meu coração, que a minha sede de afectividade se tenha perdido na imensidão do universo e que as promessas não tenham bastado.
   Somos incuráveis. Já não possuímos o que era necessário, inundarmo-nos de vida.

Matilde Alves

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